Especialistas defendem a migração de métricas quantitativas para a mensuração de resultados e fortalecimento das OSCs

Em análise voltada para o Ano Internacional do Voluntariado pelo Desenvolvimento Sustentável em 2026, as especialistas Silvia Naccache, do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial (GEVE), e Angela Parker, da Realized Worth, defendem a revisão do modelo tradicional de voluntariado corporativo. Levantamentos indicam que a taxa de engajamento dos colaboradores atinge a média de 23% no censo do Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), 25% no relatório Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC) e cerca de 25% nos levantamentos da Chief Executives for Corporate Purpose (CECP) nos Estados Unidos.
Apesar da escala de mobilização registrada, a aferição baseada exclusivamente no volume de participantes e relatórios de horas resulta em iniciativas isoladas com baixo legado social. A exceção a essa crítica aplica-se às ações de resposta a crises socioambientais, pandemias e desastres, momentos nos quais a atuação emergencial e pontual é indispensável para a preservação de vidas.
A governança do voluntariado no Brasil está amparada na Lei nº 9.608/1998, que estabelece a ausência de vínculo empregatício e a natureza não remunerada da atividade. No aspecto contábil, a norma ITG 2002 (R1/2015) exige o registro da prestação de serviço voluntário pelo seu valor justo nas demonstrações financeiras, convertendo o trabalho doado em recurso econômico mensurável.
No plano internacional, as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e os padrões do projeto IFR4NPO buscam harmonizar o reporte financeiro de entidades sem fins lucrativos. Essa estrutura engloba o princípio do Duty of Care, que impõe parâmetros de gestão de riscos, segurança e responsabilidade com voluntários e beneficiários das ações.
Para as organizações da sociedade civil, o voluntariado empresarial estruturado proporciona a transferência de conhecimento técnico, acesso a metodologias de gestão e ampliação de redes de relacionamento. A implementação de etapas formais de preparação, acompanhamento e momentos de reflexão pós-ação garante que a cooperação corporativa atue diretamente na sustentabilidade e no fortalecimento institucional das entidades parceiras.
+1Code promove 1º Encontro de Embaixadores e anuncia abertura de novas turmas de tecnologia para jovens periféricos
Com mais de 5.200 beneficiados desde 2020, organização de impacto social reforça conexão entre estudantes e empresas parceiras no setor de tecnologia

No dia 20 de julho, a escola de impacto social +1Code realizou seu primeiro Encontro de Embaixadores no espaço Oracle, em São Paulo, reunindo alunos, ex-alunos e parceiros institucionais. Criada em 2020 por Tauan Matos, a iniciativa já alcançou 5.200 jovens de comunidades periféricas e conta atualmente com 121 estudantes em formações nacionais e internacionais. Durante o evento, participantes como o estudante Luan Fabruzzi, de 18 anos, e a ex-aluna e atual professora Silmara Silva, de 30 anos — que ministrou tutoria para turmas em São Tomé e Príncipe —, compartilharam vivências sobre os desafios do letramento digital e a inserção no mercado de trabalho.
A metodologia de ensino da +1Code funciona por meio de cursos gratuitos de programação baseados no aprendizado prático: os alunos identificam problemas reais em suas comunidades e constroem soluções tecnológicas para resolvê-los. A instituição também estrutura programas de encaminhamento profissional e expandirá a atuação ainda neste ano com novas turmas para formações existentes, como o Impulso.AI (capacitação em inteligência artificial), o Tic em Trilhas (diversas áreas de tecnologia), o Jogga e Aprende (que une esporte, inglês e tecnologia) e o Quebrada Podcast. A inscrição de novos candidatos é realizada por formulário no site oficial da organização.
A atuação da +1Code serve como referência prática para entidades do terceiro setor que buscam estruturar projetos de inclusão digital e empregabilidade jovem em territórios vulneráveis. O modelo demonstra o valor de conectar diretamente o aprendizado prático ao ecossistema corporativo de tecnologia, além de evidenciar como a transformação de ex-alunos em instrutores fortalece a sustentabilidade pedagógica e o engajamento comunitário das organizações.
IDIS realiza webinar sobre desenvolvimento institucional para selecionados do programa IA.3
Encontro debatia a intencionalidade na gestão e a cultura de aprendizado como alicerces para a adoção de inteligência artificial no Terceiro Setor

No dia 23 de junho, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) promoveu o webinar ‘Desenvolvimento Institucional para OSCs: desafios e oportunidades’, direcionado às entidades selecionadas para a segunda turma do projeto IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. O evento contou com mediação de Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS, além do suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr. Durante o painel, Erika Sanchez Saez, Diretora Executiva do Instituto ACP, defendeu que o fortalecimento institucional exige intencionalidade e prioridade na rotina diária das equipes. Em seguida, Fernando Nogueira, Diretor Executivo da ABCR, ressaltou que a evolução das organizações depende de uma cultura focada no aprendizado permanente e na capacidade de refletir sobre acertos e erros.
O programa IA.3 foi formulado para qualificar organizações sem fins lucrativos que atuam no Brasil para a utilização consciente e estratégica da tecnologia. A metodologia abrange uma jornada formativa em etapas progressivas: a fase inicial teve um webinar formativo gratuito em 22 de outubro, que alcançou mais de 2,5 mil inscritos de aproximadamente 1,6 mil OSCs brasileiras. A estrutura do programa prevê ainda a realização de um evento presencial na cidade de São Paulo e a oferta de mentorias individualizadas para os representantes de 30 organizações que apresentarem melhor aproveitamento, visando o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas às suas causas.
Com início marcado para fevereiro de 2027, a nova turma reunirá entidades de diversas regiões do país para aplicar ferramentas de inteligência artificial em suas demandas cotidianas. A participação no programa possibilita que as organizações fortaleçam sua gestão interna e capacitem suas equipes antes de integrar novas tecnologias, garantindo que a inovação seja implementada de forma acessível, inclusiva e alinhada à geração de impacto social.
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