Pesquisa coordenada pelo IDIS revela que 93% dos brasileiros atribuem às empresas a responsabilidade por soluções socioambientais

A percepção da sociedade brasileira sobre o papel das empresas na resolução de problemas socioambientais passou por uma transformação expressiva nas últimas décadas. A Pesquisa Doação Brasil 2024, coordenada pelo IDIS e executada pela Ipsos, aponta que 93% da população considera o setor empresarial responsável por soluções sociais e ambientais no país — percentual que era de 34% em 2015, subindo para 82% em 2020 e 92% em 2022. A pesquisa também registrou que 78% dos brasileiros realizaram doações individuais em 2024, totalizando o valor recorde de R$ 24,3 bilhões. No âmbito empresarial, o benchmark BISC apontou que o Investimento Social Corporativo alcançou R$ 6,2 bilhões em 2024, atingindo a segunda maior cifra da sua série histórica.
A fundamentação teórica da sustentabilidade foi estruturada em 1987 pelo Relatório Brundtland da ONU e expandida em 2015 com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. O modelo exige o equilíbrio entre três dimensões indissociáveis: a ambiental, focada no uso consciente de recursos e gestão de resíduos; a social, voltada à garantia de direitos, equidade e inclusão; e a econômica, associada à geração de valor contínuo e transparência. Na gestão corporativa, essa premissa direciona a filantropia estratégica, instrumento que conecta recursos privados à agenda ESG por meio de planejamento, definição de metas, medição de impacto e fortalecimento de governança.
A maior maturidade do investimento social privado amplia a destinação contínua de recursos para organizações da sociedade civil que atuam diretamente nos territórios. A doação corporativa planejada fortalece a capacidade institucional das entidades no enfrentamento da desigualdade, insegurança alimentar, acesso à educação e preservação ambiental. Exemplo dessa articulação é o Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL que estimula empresas a canalizarem pelo menos 1% do seu lucro líquido anual para OSCs e projetos de interesse público, consolidando parcerias de longo prazo entre o setor privado e o terceiro setor.
Curso virtual promovido pela Cáritas e Plataforma MROSC reúne gestores para debater legislação e reforma tributária

Formação de nove aulas aborda exigências da Lei 13.019/2014, regularidade jurídica e parcerias com a administração pública
A Cáritas Brasileira, em conjunto com a Plataforma MROSC, a Universidade Católica de Brasília e a Cátedra Unesco de Juventude, Educação e Sociedade, promoveu a aula inaugural do curso ‘Plataforma MROSC, OSC e Rede Cáritas: Parcerias, Assistência Social e Reforma Tributária’. O evento ocorreu em uma quinta-feira (11) por videoconferência na plataforma Zoom, reunindo mais de 150 participantes do terceiro setor vindos de diferentes regiões brasileiras. A capacitação terá nove encontros ao longo de três meses, com término projetado para agosto de 2026.
O itinerário formativo utiliza exposições dialogadas, atividades práticas e exames de documentos e textos legais. A estrutura do curso foi dividida em três blocos centrais: o primeiro abrange a atuação da Rede Cáritas, da Plataforma MROSC e as políticas públicas de assistência social; o segundo foca em regras estatutárias, obtenção de certificações públicas e regime tributário; o terceiro aborda os arranjos de parceria no campo assistencial sob as regras da Lei Federal 13.019/2014.
Com essa iniciativa, as instituições buscam aprimorar a gestão contábil, jurídica e operacional para responder às atualizações normativas e às transformações decorrentes da reforma tributária. Segundo a assistente social e agente voluntária da Cáritas, Maria Rosangela Moretti, a formação visa preparar os participantes para atuarem com mais efetividade, garantindo a sustentabilidade das entidades e o fortalecimento de parcerias com o setor público. A ação também estabelece um canal permanente de cooperação entre as entidades signatárias da Plataforma MROSC e a Rede Cáritas.
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