Pesquisas indicam aumento da expectativa por atuação empresarial e recorde de doações individuais no país.

O Investimento Social Corporativo (ISC) no Brasil acompanhado pelo BISC atingiu R$ 6,2 bilhões em 2024, marcando o segundo maior valor registrado em sua série histórica. Em paralelo, a Pesquisa Doação Brasil 2024, coordenada pelo IDIS e realizada pela Ipsos, aponta que 93% dos brasileiros consideram as empresas responsáveis por solucionar problemas socioambientais — índice que cresceu continuamente em relação a 2022 (92%), 2020 (82%) e 2015 (34%).
O estudo do IDIS revelou também que 78% da população brasileira realizou doações em 2024, movimentando um montante recorde de R$ 24,3 bilhões em aportes individuais. Os valores confirmam a consolidação do investimento social privado integrado à estratégia socioambiental das corporações.

A sustentabilidade corporativa abrange três pilares interdependentes — ambiental, social e econômico —, conceito fundamentado no Relatório Brundtland da ONU em 1987 e reforçado pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Nesse contexto, a filantropia estratégica atua conectando o capital privado a causas de interesse público por meio de planejamento, metas e governança de longo prazo, superando intervenções isoladas ou reativas.

O avanço do investimento social privado amplia a capacidade de atuação das organizações da sociedade civil no atendimento a territórios e populações vulneráveis. Iniciativas como o Compromisso 1%, criado pelo IDIS e Instituto MOL para incentivar o repasse de ao menos 1% do lucro líquido anual das empresas às OSCs, estimulam parcerias contínuas que fortalecem a gestão e o combate a desafios como desigualdade social, fome e crise climática.
Análise de 25 anos de iniciativas regionais apresenta estratégias de mobilização local de recursos para fortalecer organizações sociais.

Em análise sobre mais de 25 anos de atuação na América Latina e Caribe, especialistas detalharam como as fundações comunitárias e territoriais vêm consolidando a autonomia de organizações de base em oposição à dependência exclusiva de repasses internacionais. Dados da rede Arrecife apontam que, para cada US$ 1 investido por financiadores externos, as comunidades aportam uma média equivalente a US$ 8 em contrapartidas e recursos próprios. A mobilização local também provou agilidade em crises: nos terremotos de 2017 no México, fundações locais arrecadaram US$ 3,1 milhões, correspondendo a 77% de todo o valor obtido na resposta emergencial.
O modelo de financiamento comunitário atua conectando doações locais a projetos de desenvolvimento de médio e longo prazo, utilizando arranjos diversificados de sustentabilidade. Entre os mecanismos viabilizados na região estão a destinação de receitas corporativas e taxas setoriais — como o fundo da FECHAC no México, sustentado por um acréscimo de 10% no imposto sobre folha pago por empresas que já aportou mais de US$ 155 milhões em projetos sociais —, o reinvestimento de lucros de cooperativas agrícolas e parcerias com o turismo, a exemplo do repasse de US$ 1 por visitante adotado pelo Fondo Comunitario Monteverde na Costa Rica.

Para as entidades da sociedade civil, o avanço das fundações territoriais altera as relações de poder ao posicionar grupos comunitários como coinvestidores de suas próprias iniciativas, ampliando a resiliência institucional diante da redução de financiamentos externos convencionais. No Brasil, essa dinâmica se reflete na criação do Fundo Comunitário de Desenvolvimento da Maré pela Redes da Maré, voltado a financiar projetos locais em áreas como educação, saúde e segurança pública, enquanto redes como CIAF, RedColaborar e Comunalia aceleram o intercâmbio de soluções e ampliam a capacidade de captação coletiva.
O Ingesto é mantido exclusivamente por doações voluntárias.
Se este conteúdo foi útil para você, considere apoiar a manutenção da plataforma.
Leva menos de um minuto.