Fundo Regenerativo apoia 136 projetos comunitários com modelo descentralizado de financiamento

  • 15 de setembro de 2026
  • Redação IA + Curadoria Humana
  • 5 minutos de leitura

A metodologia participativa destina pequenos repasses a grupos locais e expande atuação na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Foto de Caico Gontijo | Santana do Riacho – MG | Unsplash

A Associação Nossa Cidade criou o Fundo Regenerativo após o rompimento da barragem de Brumadinho em 2019. O Programa Saberes impulsionou a sistematização dessa tecnologia social de filantropia comunitária em 2022. A iniciativa já apoiou 136 projetos e repassou mais de 400 mil reais na Grande Belo Horizonte. Além disso, o modelo registrou taxa de sucesso de 96% entre as propostas contempladas. O projeto inicia agora um piloto de replicação independente junto à Casa Mirants no distrito de São Benedito.

A tecnologia adota um modelo de gestão híbrida entre a organização âncora e as lideranças territoriais. A instituição parceira assume a responsabilidade administrativa e jurídica do fundo. Enquanto isso, o conselho comunitário rotativo define os projetos contemplados por meio de consenso. A iniciativa disponibiliza recursos de até 3 mil reais com inscrição simplificada em formulário básico. Os contemplados prestam contas com fotos e notas fiscais para receber o reembolso do valor.

O mecanismo facilita o acesso a recursos para grupos informais e lideranças sem experiência em editais tradicionais. A descentralização permite a destinação direta de 98% dos recursos para as ações de ponta no território. Comunidades tradicionais responderam por 21% dos projetos aprovados pela iniciativa até o momento. As organizações comunitárias ganham autonomia ao capitanear também bazares e rifas locais para sustentar o fundo.

Rede Comua

Associacao Pisada do Sertao inaugura serie Fora do Radar

Conheca a trajetoria da OSC paraibana que transforma a cultura em ferramenta de desenvolvimento local.

O Brasil abriga mais de 897 mil Organizacoes da Sociedade Civil ativas, mas a concentracao regional limita a visibilidade de entidades locais. O portal ONG News lancou a serie especial Fora do radar para apresentar iniciativas distantes dos grandes centros urbanos. A primeira entidade retratada e a Associacao Cultural Pisada do Sertao, fundada em 2004 no Alto Sertao da Paraiba.

A instituicao surgiu da mobilizacao de jovens liderados por uma professora no municipio de Poco de Jose de Moura. O grupo iniciou as atividades com uma apresentacao cultural incentivada pela Igreja Catolica local. Com o tempo, a iniciativa expandiu sua atuacao para alem da danca e transformou-se em uma rede permanente de impacto social.

A organizacao abriu polos em Poco Dantas, Pocinhos e Triunfo, alcancando 12 municipios paraibanos ao longo de duas décadas. A entidade acumula marcas expressivas em sua trajetoria de atuacao comunitaria. O balanço oficial registra 88 cursos realizados, 3.891 jovens e mulheres qualificados, 669 pessoas inseridas no mercado de trabalho e 1.456 criancas e adolescentes atendidos.

A Pisada do Sertao estruturou projetos multissetoriais que articulam educacao, cultura, assistencia social e geracao de renda. A iniciativa Cultura Digital atende 200 participantes com oficinas praticas e laboratorios de inovacao. A Escolinha do Futuro atende 700 criancas e adolescentes com esporte e acompanhamento escolar integrado.

O financiamento das acoes envolve recursos publicos especificos para a sustentabilidade institucional. O projeto Sertão Cultural obteve R$ 150 mil por meio de emendas parlamentares e do Termo de Fomento numero 16 de 2022. A entidade aplica esses aportes na oferta de cursos regulares de danca e musica regional.

A estrategia de desenvolvimento inclui frentes de protecao social e fomento economico. A instituicao oferece atendimento psicossocial, servicos de convivencia e fortalecimento de vinculos familiares. Na economia criativa, a organizacao promove capacitacoes em culinaria, artesanato, agroecologia e turismo sustentavel com foco na geracao de renda local.

A experiencia da Pisada do Sertao demonstra a capacidade das pequenas organizacoes de responder diretamente as vulnerabilidades territoriais. A entidade substitui a necessidade de migracionismo juvenil por oportunidades concretas de permanencia no interior. O modelo consolida a cultura como eixo estruturante para a garantia de direitos.

Gestores de outras instituicoes do Terceiro Setor encontram na pratica paraibana um exemplo de capilaridade comunitaria. A articulacao entre poder publico, emendas parlamentares e parcerias locais garante a manutencao de servicos essenciais. A OSC valida o papel estratégico das entidades perifericas na construcao de politicas publicas de base.

Nossa Causa

Inclusão etária e combate ao etarismo ganham espaço em iniciativas para profissionais 50+

Movimento LABoo e startup Labora promovem reskilling e preparam festival sobre longevidade em São Paulo.

Sérgio Serapião, do  Movimento LABoo, da Labora e do Fórum & Festival Longevidade.

O empreendedor Sérgio Serapião lidera projetos focados na inclusão produtiva e na diversidade etária no Brasil. Em 2019, o especialista fundou a startup Labora para reintegrar profissionais seniores ao mercado corporativo. Uma pesquisa de 2025 feita pela startup com a Robert Half revela um cenário preocupante. Setenta por cento das empresas brasileiras não medem a discriminação por idade. Além disso, dois em cada três profissionais desempregados apontam o etarismo como o obstáculo principal para a recolocação.

A atuação contra a discriminação etária exige a reestruturação das carreiras e a capacitação continuada. A Labora desenvolve frentes de requalificação profissional voltadas para trabalhadores com mais de 50 anos. A startup estabelece parcerias estratégicas com corporações para testar modelos flexíveis de trabalho. Em um projeto com o Itaú, a iniciativa registrou um ganho superior a 80% no desempenho dos participantes. Em outra frente, o Movimento LABoo organiza a oitava edição do Fórum e Festival Longevidade. O evento ocorre entre 24 e 26 de setembro no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

As organizações da sociedade civil podem replicar metodologias de inclusão intergeracional em seus projetos sociais. O setor público e as ONGs encontram no festival um espaço direto para debater moradia multigeracional e políticas públicas. As entidades sociais também podem firmar parcerias para a capacitação tecnológica da população idosa. A requalificação de públicos maduros amplia as oportunidades de atuação em áreas da saúde, cultura e atendimento comunitário.

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