O cenário para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) em março de 2026 está marcado por grandes oportunidades de captação de recursos e discussões decisivas sobre a legislação tributária. Dois novos editais de destaque, lançados pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, somam R$ 5 milhões destinados a projetos de economia, clima e soluções para comunidades tradicionais. Essas iniciativas reforçam a tendência de investimento em sustentabilidade e justiça social, oferecendo um fôlego financeiro essencial para instituições que buscam ampliar seu impacto nessas áreas críticas.

Além dos recursos financeiros, o setor enfrenta um endurecimento nas regras do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC). Novas exigências de governança e transparência estão sendo implementadas, consolidando um novo padrão institucional. Especialistas alertam que a profissionalização não é mais opcional, mas uma condição para a sobrevivência e eficácia das OSCs diante de um mercado doador cada vez mais rigoroso e atento aos indicadores de impacto real.
Lei Complementar nº 224: Isenções Preservadas para o Terceiro Setor

A publicação da Lei Complementar nº 224 gerou debates intensos sobre o tratamento tributário das OSCs no Brasil. A legislação prevê uma redução linear de 10% em benefícios e incentivos fiscais federais, o que inicialmente causou apreensão no setor. No entanto, uma Instrução Normativa recente esclareceu que as isenções de IRPJ, CSLL e Cofins para organizações sem fins lucrativos permanecem preservadas, garantindo a manutenção do regime tributário anterior para a maioria das entidades.
Apesar do alívio temporário, o setor deve permanecer vigilante. A Reforma Tributária em curso prevê a substituição da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) até o final de 2026. Entidades certificadas com o CEBAS ou qualificadas como OSCIPs continuam gozando de proteções jurídicas mais robustas contra cortes de incentivos, reforçando a importância da regularização documental e da busca por certificações que garantam segurança jurídica a longo prazo.
Editais Abertos: Oportunidades em Campinas e Pesquisa Climática

Novas oportunidades regionais e temáticas surgiram nesta semana. O projeto “Ideias e Soluções”, uma parceria entre a Integra Campinas e a Fundação FEAC, lançou um edital de R$ 500 mil voltado para a qualificação da infraestrutura de entidades sociais em Campinas. Cada organização selecionada poderá receber aportes de até R$ 25 mil, destinados a melhorias operacionais e de segurança, permitindo que as OSCs locais ofereçam atendimentos com maior qualidade e dignidade.
No âmbito nacional, o Instituto Clima e Sociedade (iCS) abriu uma chamada de R$ 2,5 milhões para apoiar pesquisas aplicadas sobre economia e clima. O objetivo é subsidiar políticas públicas e estratégias empresariais com dados sólidos, conectando a produção acadêmica às necessidades práticas do terceiro setor. Essas janelas de oportunidade demonstram que, embora o rigor técnico tenha aumentado, os recursos estão disponíveis para organizações que apresentem projetos estruturados e alinhados às agendas globais.
2026: O Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável

A Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável. Este marco global visa reconhecer e potencializar o papel dos voluntários como infraestrutura social indispensável para o alcance da Agenda 2030. No Brasil, diversas conferências e programas, como o Fashion Revolution Brasil, já estão mobilizando cidadãos para ações coletivas que integram impacto social, ambiental e econômico.
O voluntariado em 2026 deixa de ser visto apenas como um ato de caridade isolado para se tornar uma ferramenta estratégica de transformação territorial. As OSCs são incentivadas a modernizar seus programas de gestão de voluntários, utilizando tecnologias de engajamento e focando na retenção de talentos que possam contribuir com competências técnicas específicas. O engajamento cívico é, agora, um pilar central para a resiliência das comunidades brasileiras diante dos desafios climáticos e sociais.
Referências
[1] Editais de Captação Somam R$ 5 Milhões para o Terceiro Setor!
[2] MROSC endurece regras, filantropia muda estratégia e IA trava impacto nas OSCs!
[3] Lei Complementar nº 224 gera debate sobre impactos no terceiro setor
[4] Integra Campinas em parceria com a Fundação FEAC lançam edital de R$ 500 mil para qualificar infraestrutura de entidades sociais de Campinas
[5] 2026 é o Ano Internacional do Voluntariado para o desenvolvimento sustentável
[6] Voluntariado será tema da Conferência Distrital de Unidades de Conservação 2026
STF impõe novas regras de transparência para emendas já em 2026

Uma decisão recente do STF determinou que estados e municípios adotem novos padrões de transparência e controle na execução de emendas parlamentares, alinhando-se às exigências federais.
Segundo a ImpactoDo, a medida condiciona a liberação de recursos em 2026 à implementação de sistemas de rastreabilidade e publicidade dos gastos.
Na prática, isso impacta diretamente OSCs: projetos financiados por emendas exigirão comprovação mais robusta de execução, governança e prestação de contas.
IA avança: de automação para decisão estratégica
Organizações deixam uso operacional e caminham para inteligência aplicada
O uso de inteligência artificial no Terceiro Setor está evoluindo rapidamente — mas o diferencial competitivo agora está na aplicação estratégica.
De acordo com a Gazeta do Povo, a tendência é a adoção de agentes de IA capazes de apoiar decisões, analisar dados de doadores e otimizar operações.
Isso marca uma mudança crítica: sair da automação básica e integrar IA à gestão, captação e planejamento institucional.
Transparência em tempo real vira novo padrão de confiança
Relatórios anuais deixam de ser suficientes para financiadores
A lógica da transparência mudou. Não basta mais publicar relatórios anuais — a exigência agora é visibilidade contínua.
Segundo a Gazeta do Povo, organizações passam a adotar dashboards e comunicação constante para demonstrar impacto e uso de recursos.
Esse movimento está diretamente ligado à confiança do doador e à capacidade de manter financiamento recorrente.
Captação se torna digital, recorrente e baseada em confiança

A captação de recursos está migrando para modelos digitais, com foco em recorrência e relacionamento.
De acordo com a ImpactoDo, estratégias como crowdfunding, doações recorrentes e transparência ativa aumentam significativamente a sustentabilidade financeira das OSCs.
A mudança central: sair da campanha pontual e construir base contínua de apoiadores.
Profissionalização deixa de ser diferencial e vira pré-requisito

O nível de exigência sobre organizações sociais aumentou — tanto por parte do Estado quanto de financiadores privados.
Segundo a Gazeta do Povo, compliance, capacidade técnica e uso de dados passaram a ser requisitos mínimos para parcerias.
Isso consolida uma nova lógica: organizações estruturadas captam mais, executam melhor e permanecem relevantes.
O que fazer amanhã
Revisar processos de transparência e prestação de contas
Avaliar uso atual de IA e identificar aplicações estratégicas
Estruturar modelo de captação recorrente
Fortalecer governança e documentação institucional
Preparar organização para exigências crescentes em recursos públicos
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