Doação recorrente no Brasil enfrenta desafios e queda na confiança

  • 27 de outubro de 2026
  • Redação IA + Curadoria Humana
  • 4 minutos de leitura

Pesquisas indicam retração no engajamento social, enquanto o Dia de Doar busca incentivar hábitos contínuos.

A solidariedade integra a vida dos brasileiros, mas transformar a doação em um hábito permanente continua difícil. Dados da Pesquisa Doação Brasil 2024 mostram que 43% dos brasileiros doaram dinheiro para organizações da sociedade civil, campanhas ou grupos organizados. Outros 50% contribuíram para situações emergenciais. O levantamento revela que o percentual de doações mensais caiu nos últimos anos. As situações emergenciais concentram 30% das doações em dinheiro, enquanto o percentual de doadores mensais recuou para 39%.

A terceira edição da pesquisa Retrato da Solidariedade aponta uma retração no engajamento da população. O percentual de pessoas que apoiaram as organizações caiu de 58% em 2024 para 55,5% em 2025. O volume de recursos destinados às OSCs diminuiu de R$ 24,86 bilhões para R$ 21,09 bilhões. A falta de confiança superou a limitação financeira como principal motivo para as pessoas deixarem de doar. O Brasil ocupa a 48ª posição no ranking global de generosidade, com os cidadãos destinando 0,93% da renda a causas socioambientais.

O Dia de Doar acontece no dia 1 de dezembro e busca transformar a solidariedade em um hábito permanente. A iniciativa mobiliza indivíduos, empresas e organizações para contribuírem com causas sociais. O Brasil possui cerca de 960 mil organizações registradas, sendo 500 mil atuantes em causas socioambientais. O Terceiro Setor responde por mais de 4% do Produto Interno Bruto brasileiro.

O Movimento por uma Cultura de Doação lidera o Dia de Doar no país. A campanha inspira-se no movimento internacional GivingTuesday e ocorre na terça-feira seguinte à Black Friday. As organizações sem fins lucrativos realizam ações virtuais ou presenciais para captar recursos e ampliar o engajamento comunitário. O site oficial da iniciativa disponibiliza manuais e dicas para apoiar as instituições na mobilização.

Especialistas apontam que a cultura de doação nacional ainda está no início da curva de crescimento. Vivian Fasca, da Plan International Brasil, destaca que a população ainda doa principalmente como resposta a crises e emergências. Mariana Campanatti, do Instituto Benera, reforça que a campanha aproxima a doação das pessoas para consolidar essa prática no cotidiano. O fortalecimento institucional depende de campanhas permanentes de comunicação e transparência para reverter a crise de confiança.

As organizações dependem das doações financeiras para manter atividades essenciais em educação, saúde, assistência social e combate à fome. Muitas instituições enfrentam dificuldades para captar recursos e investir em comunicação para ampliar a própria visibilidade. A falta de recursos limita o crescimento dessas entidades, gerando um ciclo difícil na busca por novos doadores. As OSCs incentivam os cidadãos a pesquisarem sobre a transparência das instituições antes de realizarem contribuições financeiras.

Observatorio 3 Setor

ONG Espaço Urbano e parceiros levam teatro sobre reciclagem a escolas de São Paulo

Projeto RECICLA CULTURAL prevê 256 apresentações para crianças da Zona Leste com recursos de acessibilidade e apoio privado

A ONG Espaço Urbano e a RN Produções Artísticas levam espetáculo infantil a escolas municipais da Zona Leste paulistana. A peça integra o projeto RECICLA CULTURAL e conta com o patrocínio da multinacional Tetra Pak. Os organizadores adaptam as 256 apresentações para espaços como salas de aula, quadras e auditórios. O projeto atende crianças de 6 a 12 anos e oferece recursos como audiodescrição e interpretação em Libras.

O espetáculo aborda a economia circular por meio de uma apresentação lúdica de 25 minutos. Os personagens Seu Nilo e Pedrinho ensinam a separar resíduos ao som de violão e acordeom. O roteiro questiona o consumo imediato e estimula escolhas diárias mais conscientes nas redes de ensino. Artistas, pedagogos e especialistas em sustentabilidade elaboraram o conteúdo para facilitar a compreensão das crianças.

A parceria fortalece a atuação de organizações da sociedade civil na disseminação da educação ambiental em territórios periféricos. A Abrema indica que o Brasil recicla apenas 4,5% dos resíduos produzidos no país. O grupo expande sua atuação comunitária após alcançar 14.481 pessoas em 351 sessões realizadas no ano de 2024. A ação demonstra a força dos projetos culturais para formar cidadãos engajados com a sustentabilidade.

Observatorio 3 Setor

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