AI for Good 2024: AWS debate uso responsável de inteligência artificial nos Objetivos de Desenvolvimento

  • 6 de agosto de 2026
  • Redação IA + Curadoria Humana
  • 4 minutos de leitura

Em Genebra, executiva apontou pilares éticos e três principais barreiras que afetam a adoção da tecnologia por diferentes organizações.

Durante a cúpula AI for Good Global Summit 2024, realizada em Genebra, a responsável por Políticas Públicas de Inteligência Artificial para EMEA na Amazon Web Services (AWS), Sasha Rubel, detalhou como a tecnologia vem sendo aplicada no avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs). Entre os exemplos citados estão projetos de agricultura vertical para combater a fome, mecanismos para reduzir viés de gênero em anúncios de emprego, mensuração do tempo de fala feminino na mídia, apoio à medicina personalizada e iniciativas de educação customizada desenvolvidas em parceria com a Universidade de Pádua. Rubel destacou ainda um levantamento indicando que cidadãos de diversos países preveem forte impacto da inteligência artificial na saúde, na educação, na igualdade de gênero e no combate à pobreza nos próximos cinco anos.

Para estruturar o desenvolvimento ético de soluções tecnológicas, a AWS opera por meio de quatro pilares: operacionalização de princípios éticos (como transparência, explicabilidade, prestação de contas e privacidade), promoção da diversidade com equipes compostas por filósofos, advogados e eticistas, fomento à educação e avanço da pesquisa com colaboração entre indústria, academia e sociedade civil. Rubel explicou que a consolidação da tecnologia enfrenta três gargalos centrais: a incerteza regulatória — que pode diminuir em até 48% os investimentos corporativos em três anos —, o déficit de competências digitais, relatado por 61% das empresas, e a disparidade de adoção entre grandes corporações (51%) e pequenas organizações (31%).

A defasagem de habilidades e a disparidade no acesso à inteligência artificial atingem diretamente o ritmo de inovação em entidades com menor capacidade de investimento. Como resposta ao desafio educacional apontado por trabalhadores que enfrentam restrições de tempo e orçamento, o programa AI Ready Commitment oferece mais de 80 cursos online focados na formação responsável sobre a tecnologia. Além de aproveitar capacitações acessíveis, a participação do terceiro setor em parcerias com o setor privado e instituições de ensino auxilia no alinhamento às diretrizes internacionais apoiadas pela ONU, OCDE e pelo código de conduta do G7, reduzindo entraves regulatórios na implementação de projetos sociais.

AI for Good (ITU)

Relatório da ONU defende inclusão da sociedade civil na governança de saúde digital e IA

Estudo no Quênia e diretrizes da OMS reforçam a necessidade de mecanismos digitais de participação jovem nas políticas do setor.

A Relatora Especial da ONU sobre o Direito à Saúde, Dra. Tlaleng Mofokeng, lançou o relatório sobre Inovação Digital, Tecnologias e o Direito à Saúde, defendendo que os ambientes regulatórios digitais sejam moldados diretamente pelos usuários. No Quênia, país que aprovou o Digital Health Act No. 15 em 2023, um estudo liderado por jovens e apoiado pela iniciativa Young Experts: Tech for Health (YET4H) consultou 73 participantes de 15 condados. A pesquisa indicou que 96% dos entrevistados apoiam o estabelecimento de uma estrutura de participação cívica digital direcionada à juventude, destacando barreiras de acesso físico e comunicação ineficaz nos modelos tradicionais.

A governança inclusiva em saúde digital e inteligência artificial fundamenta-se na integração da participação pública em todas as etapas do processo de elaboração de políticas, do desenho técnico à implementação final. A Estratégia Global de Saúde Digital 2020-2025 da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que organismos internacionais e governos devem estruturar diretrizes conjuntas com a sociedade civil e comunidades afetadas. Esse modelo busca mitigar os impactos da inteligência artificial na tomada de decisão humana, salvaguardando direitos à privacidade de dados, liberdade de expressão e não discriminação por meio de canais de e-participation e programas integrados de alfabetização cívica e digital.

As diretrizes globais e a pesquisa de campo no Quênia evidenciam a oportunidade para que organizações da sociedade civil atuem na mediação e defesa de espaços formais de participação cívica digital. O terceiro setor pode impulsionar o desenvolvimento de plataformas participativas de menor custo e maior alcance, além de cobrar dos governos a inclusão de jovens e comunidades locais na definição de parâmetros éticos e regulatórios para o uso de inteligência artificial e tecnologias digitais na saúde pública.

AI for Good (ITU)

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