Evento presencial em São José dos Campos reunirá mais de 40 horas de capacitação focada em compliance, reforma tributária e inteligência artificial para OSCs

A Rede Filantropia disponibilizou a agenda de palestras, oficinas e painéis da 19ª Imersão Contábil, Jurídica e de Gestão para o Terceiro Setor. O encontro presencial está agendado para ocorrer entre os dias 14 e 18 de setembro na cidade de São José dos Campos, no estado de São Paulo.
A programação prevê mais de 40 horas de atividades voltadas à capacitação de contadores, advogados, administradores e gestores de organizações da sociedade civil. Entre as atrações confirmadas estão a palestra de abertura com o CEO da Rede Filantropia, Marcio Zeppelini, sobre captação de recursos; o painel de compliance com Ricardo Monello e Melina Barros; a apresentação de Michel Freller sobre métodos de captação; uma mesa de debates sobre a Reforma Tributária; e a oficina de inteligência artificial conduzida por André Medeiros.
A grade curricular do evento foi desenhada para abordar exigências legais e operacionais cruciais para a administração de entidades sem fins lucrativos. O conteúdo engloba normas contábeis aplicáveis ao setor, procedimentos de auditoria, preenchimento do SPED, elaboração de demonstrações financeiras e prestação de contas aos órgãos fiscalizadores.

Além dos aspectos contábeis, o treinamento aprofunda temas jurídicos e administrativos essenciais, incluindo a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), obtenção e manutenção do Cebas, revisão de estatutos sociais, governança corporativa, práticas trabalhistas e gestão de recursos humanos.
Para as organizações da sociedade civil, o evento oferece oportunidade prática de atualização técnica diante das recentes mudanças legislativas e fiscais, como as discussões em torno da Reforma Tributária. A participação possibilita o alinhamento das instituições com padrões exigidos de transparência e integridade, além de apresentar ferramentas tecnológicas como a IA aplicada à gestão institucional e promover o intercâmbio de experiências entre profissionais de diversas partes do país.
Crescimento do investimento social privado e expectativa da sociedade ampliam oportunidades de captação para OSCs
Pesquisa Doação Brasil 2024 e BISC registram avanço nos recursos corporativos e no engajamento filantrópico no país

A Pesquisa Doação Brasil 2024, coordenada pelo IDIS em parceria com a Ipsos, apurou que 93% dos brasileiros consideram as empresas responsáveis por atuar na solução dos problemas sociais e ambientais do país. O indicador demonstra crescimento continuo quando comparado aos levantamentos anteriores: 92% em 2022, 82% em 2020 e 34% em 2015. Na vertente individual, 78% da população brasileira declarou ter realizado algum tipo de doação em 2024, movimentando um volume estimado em R$ 24,3 bilhões, o maior valor registrado na série histórica do estudo.
No âmbito empresarial, dados do BISC referentes a 2024 revelam que o investimento social corporativo atingiu R$ 6,2 bilhões entre as companhias acompanhadas pelo benchmark, marcando uma forte elevação em relação ao ano anterior e o segundo maior montante da série. Além disso, iniciativas como o Compromisso 1%, estruturado pelo IDIS e pelo Instituto MOL, incentivam o setor privado a doar ao menos 1% do seu lucro líquido anual para causas de interesse público e organizações do terceiro setor.
A fundamentação teórica da sustentabilidade desenvolveu-se globalmente a partir do Relatório Brundtland de 1987, no âmbito da ONU, e consolidou-se com o lançamento da Agenda 2030 em 2015, que definiu os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Na gestão empresarial, o conceito desdobra-se em três eixos integrados: a dimensão ambiental (recursos naturais, resíduos e emissões), a social (direitos humanos, inclusão e equidade) e a econômica (eficiência, governança e transparência). Quando combinadas às práticas de ESG e da filantropia estratégica, as doações corporativas passam a integrar o planejamento do negócio, direcionando capital de forma estruturada e contínua para responder a desafios complexos.
O avanço nos volumes aportados via investimento social privado amplia o campo de atuação e financiamento para as organizações da sociedade civil. Como a consolidação da agenda ESG exige das companhias entregas concretas e atenção aos territórios e populações afetadas, as entidades do terceiro setor assumem papel central como executoras e parceiras estratégicas. Para acessar esses recursos, as OSCs devem estruturar propostas alinhadas aos ODS, fortalecer seus sistemas de governança e demonstrar capacidade de mensuração de impacto social.
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