Novo estudo mapeia atuação de defensoras climáticas no Brasil

  • 13 de October de 2026
  • Redação IA + Curadoria Humana
  • 6 min read

Publicação analisa desafios, sobrecarga e estratégias de cuidado de 26 lideranças em diversas regiões do país.

O Observatório do Clima, o Instituto Internacional de Educação do Brasil, o Comitê Chico Mendes, a Apremavi e o Grupo de Trabalho de Gênero e Justiça Climática lançaram a publicação Mulheres que Sustentam o Clima. O documento reúne entrevistas com vinte e seis defensoras climáticas de variadas regiões brasileiras. A análise conecta gênero, raça e território aos impactos da crise climática e evidencia situações de sobrecarga e violência.

A pesquisa detalha a atuação dessas lideranças na proteção de rios, sementes, territórios e conhecimentos ancestrais. As entrevistadas aplicam tecnologias de cuidado, sistemas agroflorestais, redes comunitárias e ações de restauração. O estudo também apresenta recomendações práticas para aproximar políticas de proteção, cuidados e justiça climática.

O documento diagnostica as condições de atuação das defensoras e propõe a redistribuição de responsabilidades de cuidado. A Conjunta aponta que o material fortalece o Desenvolvimento Institucional ao detalhar as bases necessárias para sustentar lideranças. A publicação conecta a incidência política e o cuidado institucional para garantir a continuidade da atuação coletiva nos territórios.

As organizações da sociedade civil que atuam com justiça climática, direitos humanos e gênero encontram no estudo subsídios para ampliar suas estratégias de proteção. Equipes comunitárias utilizam o diagnóstico para estruturar programas de apoio institucional e incidência política. Gestores de OSCs aproveitam as recomendações para aperfeiçoar o suporte às lideranças que sustentam redes comunitárias.

Conjunta

Fórum do IDIS debate o papel da filantropia e de empresas

Especialistas discutem legados familiares, investimentos sociais e o combate às desigualdades no Brasil.

O IDIS promoveu a mesa de encerramento do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 com palestras de Nicholas Tedesco, Rodrigo Pipponzi e Michael França, sob a mediação de Paula Fabiani. Os palestrantes debateram a necessidade de escolhas corajosas, a superação das desigualdades e a construção de legados na filantropia.

Nicholas Tedesco afirmou que a filantropia familiar nos Estados Unidos apoia a democracia e pautas climáticas, enquanto no Brasil o envolvimento de famílias ricas ainda é incipiente. O Censo GIFE de 2024 aponta que fundações e institutos familiares investiram R$ 395 milhões no país.

Rodrigo Pipponzi detalhou a atuação da RD Saúde, que vincula bônus de executivos a metas ESG e integra sua missão de negócio ao investimento social. A empresa recruta recursos por meio do Troco Solidário, que arrecada anualmente entre R$ 4 e 5 milhões para organizações da sociedade civil.

Michael França apresentou reflexões de seu livro Os Custos das Desigualdades sobre os impactos sociais na economia brasileira e criticou a escassez de financiamento de longo prazo para pesquisas no Brasil.

A filantropia familiar estrutura-se por meio de governança e alocação estratégica de recursos patrimoniais para causas de interesse público. Fundações e institutos direcionam verbas para áreas prioritárias como educação, saúde e meio ambiente, buscando alinhar o propósito dos doadores às necessidades sociais.

A filantropia corporativa utiliza mecanismos como o Compromisso 1%, iniciativa colaborativa do IDIS e do Instituto MOL, para fomentar a doação de percentuais do lucro líquido das empresas para organizações da sociedade civil. O modelo integra a sustentabilidade ao núcleo estratégico das corporações.

As organizações da sociedade civil obtêm recursos por meio de campanhas de arrecadação corporativa, a exemplo do Troco Solidário promovido pela RD Saúde. Essas iniciativas direcionam milhões de reais anualmente para financiar projetos e fortalecer a atuação das entidades no atendimento às comunidades.

O debate sobre colaboração sistêmica e diversificação de fontes de financiamento sinaliza a necessidade de as OSCs buscarem parcerias de longo prazo com o setor privado e fundações familiares, superando barreiras de governança e ampliando o impacto de suas ações.

IDIS

Fórum debate reinvenção de arquiteturas de financiamento para OSCs

Especialistas discutem redistribuição de poder e recursos no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 reuniu lideranças para debater arquiteturas de financiamento cultural, territorial e socioambiental. O evento abordou a necessidade de articular recursos, redes, conhecimento e poder de decisão para enfrentar desafios complexos.

Bruna Helena Barros apresentou a experiência do Fundo Agbara na ampliação do acesso de mulheres negras a capital, formação e redes. A discussão evidenciou que a desigualdade no acesso à filantropia reflete estruturas históricas que afastam determinados grupos das instâncias de decisão.

Padre Luciano da Silva Roberto destacou o desafio de financiar a preservação do patrimônio histórico da Igreja Católica no Brasil. Mariana Luz apresentou a atuação da Vale e da Fundação Vale na combinação de recursos próprios, incentivos fiscais e parcerias com Organizações da Sociedade Civil.

Os participantes discutiram o uso de fundos patrimoniais filantrópicos para garantir sustentabilidade de longo prazo. Esses fundos preservam o principal e utilizam os rendimentos para sustentar causas de forma contínua, superando lógicas de financiamento reativo e fragmentado.

O Investimento Social Privado corporativo combina recursos próprios, leis de incentivo, participação de fornecedores e fundos filantrópicos. Essa abordagem articula diferentes ativos institucionais, como tempo, conhecimento técnico e capilaridade territorial, para enfrentar vulnerabilidades multidimensionais.

A governança descentralizada e simplificada garante processos claros que favorecem a colaboração e a adaptação. A burocracia excessiva afasta comunidades e organizações locais, enquanto estruturas participativas aproximam o capital dos territórios.

As Organizações da Sociedade Civil ganham centralidade na execução de parcerias voltadas para o enfrentamento da pobreza e de vulnerabilidades socioambientais. A atuação conjunta com empresas e fundos amplia a capacidade de resposta a problemas complexos nos territórios.

A redistribuição de poder exige que financiadores compartilhem decisões com as comunidades e organizações locais. Esse movimento transforma o capital de um mero instrumento de repasse em um vetor de fortalecimento de redes e saberes existentes.

As OSCs devem monitorar a simplificação da burocracia nos editais e fundos para assegurar maior proximidade com as realidades locais. A escuta ativa e a descentralização de recursos fortalecem a autonomia das organizações na ponta.

IDIS

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