Publicação aponta a urgência da pauta climática, uso responsável de inteligência artificial e fortalecimento do diálogo social.

O IDIS divulgou a nova edição do relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil. O documento analisa o impacto das mudanças climáticas, da tecnologia e da polarização política nas organizações. A Pesquisa Doação Brasil 2024 revela que apenas 30% dos brasileiros confiam nas entidades da sociedade civil. Além disso, pesquisas indicam que somente 6% das OSCs brasileiras utilizam ferramentas tecnológicas avançadas.
Várias iniciativas buscam enfrentar esses desafios estruturais do terceiro setor brasileiro. O movimento WINGS e a Philea coordenam internacionalmente o Compromisso Brasileiro pela Filantropia com a Mudança Climática. No setor tecnológico, o IDIS criou o programa IA.3 com apoio da Google.org e parceria do Canal SabIAr. O relatório UBS Global Wealth Report 2025 prevê a transferência intergeracional de US$ 9 trilhões no Brasil.

As organizações precisam incorporar a pauta climática de forma transversal em sua governança e projetos. Projetos como o Brasil Fala e a Sociedade Viva oferecem ferramentas para reconstruir a confiança pública. O Fundo Socioambiental Casa exemplifica a inclusão de lideranças comunitárias e indígenas no centro das decisões financeiras. As entidades devem se preparar para modelos de gestão como fundos patrimoniais, doação planejada e steward-ownership.
Aumento na demanda desafia ONGs brasileiras e exige foco em resiliência
Pesquisa global aponta crescimento nos serviços das organizações e aponta caminhos para o fortalecimento institucional.

Sessenta e seis por cento das organizações brasileiras registram aumento na demanda por seus serviços. Setenta e oito por cento das entidades esperam que essa procura continue crescendo no país. Os dados integram o estudo World Giving Report 2026: Panorama das ONGs.
A Charities Aid Foundation conduziu a pesquisa com mais de cinco mil lideranças em trinta e três países. O IDIS realizou a etapa brasileira do levantamento, que contou com cento e noventa e cinco participantes entre fevereiro e junho de 2026.
Luisa Lima, gerente de comunicação e conhecimento no IDIS, aponta a inequidade e o protagonismo histórico das organizações como causas do fenômeno. As entidades atuam na linha de frente e firmam parcerias com o poder público e agentes filantrópicos.

A especialista destaca que apoiar o terceiro setor exige ir além do repasse de recursos financeiros. Ela defende o financiamento flexível e o investimento em governança, pessoas, redes e na capacidade de medir e comunicar resultados.
As organizações precisam fortalecer suas estruturas para atender ao movimento ascendente de procura por serviços. A construção de resiliência demanda confiança e perspectiva de longo prazo para gerar transformações reais no país.
As entidades com bases consolidadas ajustam suas operações para enfrentar cenários adversos. Para alcançar maturidade, as instituições mantêm clareza de propósito, diversificam fontes de financiamento e formam redes de colaboração.
Profissionais de ONGs migram para consultorias em busca de autonomia
Crescimento de consultores no Terceiro Setor expõe falhas estruturais e desafios na retenção de talentos.

O aumento de profissionais que abandonam empregos em organizações sociais para atuar como consultores reflete problemas estruturais na gestão do Terceiro Setor. Pesquisas recentes apontam que jornadas exaustivas, remunerações baixas e estruturas rígidas motivam essa migração laboral.
A transição para o modelo autônomo funciona muitas vezes como uma alternativa de sobrevivência profissional. Especialistas apontam que a busca por flexibilidade e autonomia afasta trabalhadores qualificados dos vínculos tradicionais de emprego nas instituições.
A dependência excessiva de especialistas externos gera impactos negativos para as organizações. Essa dinâmica prejudica a memória institucional, enfraquece a formação de novas lideranças e bloqueia o aprendizado interno dos colaboradores.
A atuação de consultores externos traz vantagens reais para instituições que não possuem escala para manter especialistas em tempo integral. Organizações de menor porte recorrem a esses profissionais para demandas pontuais de planejamento, captação de recursos e governança.
Uma consultoria eficiente transfere conhecimento e desenvolve a equipe interna em vez de apenas entregar documentos estratégicos. O profissional externo atua como catalisador de competências, estruturando processos que reduzem gradualmente a dependência de suporte externo.
O modelo ideal exige que os conselhos de administração avaliem a saúde organizacional de forma ampla. Isso inclui monitorar a retenção de talentos, combater a burocracia excessiva e assegurar condições adequadas de trabalho para as equipes.
As organizações sociais precisam transformar a gestão de pessoas para evitar a fuga contínua de talentos qualificados. Garantir autonomia, capacitação e flexibilidade torna o ambiente interno mais competitivo frente ao mercado autônomo e privado.
Os conselhos administrativos devem questionar ativamente as causas da rotatividade e a rigidez estrutural vigente. Proteger a missão institucional exige criar ecossistemas internos capazes de atrair e reter colaboradores de alto desempenho.
O desafio central para as organizações brasileiras consiste em construir capacidade permanente de execução. A contratação de consultorias deve representar um investimento em autonomia institucional e não um substituto definitivo para os quadros próprios.
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