IDIS apresenta balanço de 2025 com foco em inteligência artificial, fundos patrimoniais e saúde

  • 24 de July de 2026
  • Redação IA + Curadoria Humana
  • 7 min read

Relatório de Atividades detalha investimentos de R$ 113 milhões no setor da saúde, novas regulamentações e iniciativas de formação técnica para ONGs

O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) publicou seu Relatório de Atividades referente a 2025, detalhando as entregas e os indicadores do período. A área de consultoria da entidade conduziu 39 projetos sobre temas como planejamento estratégico, gestão de doações, agenda ESG e avaliação de impacto. Paralelamente, o núcleo de conhecimento produziu 50 novos materiais — incluindo o estudo Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da Filantropia Familiar no Brasil e a quinta edição da publicação Perspectivas para a Filantropia no Brasil —, registrando um total de 62 mil acessos aos conteúdos distribuídos.

No âmbito regulatório e de incentivo, a atuação da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos acompanhou a publicação da Instrução Normativa nº 26 pelo Ministério da Cultura, que regulamentou a captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura para a constituição ou ampliação de fundos patrimoniais culturais, em conformidade com a Lei nº 13.800/2019. Na área da saúde, o Programa Juntos pela Saúde, parceria entre o BNDES e o IDIS, alcançou 12 projetos em execução simultânea e prevê a destinação de cerca de R$ 113 milhões até 2026 para reforçar a atenção primária e diagnósticos. Além disso, o IDIS assumiu a gestão do programa IA.3, financiado por um aporte de R$ 5 milhões do Google.org anunciado no evento Google for Brasil 2025, focado na capacitação em inteligência artificial para organizações da sociedade civil em conjunto com o Canal SabIAr.

As iniciativas implementadas articulam diferentes mecanismos de financiamento e desenvolvimento institucional. No Programa Juntos pela Saúde, o modelo operacional baseia-se no aporte complementar do BNDES, que iguala os valores captados junto a parceiros privados para atingir o montante global de R$ 113 milhões. Já o programa de inteligência artificial combina etapas de formação técnica com sessões de mentoria prática e monitoramento de resultados, garantindo que as ferramentas de tecnologia sejam efetivamente incorporadas à gestão diária das entidades beneficiadas.

As entregas do IDIS em 2025 expandem o acesso a fontes de financiamento sustentáveis e à qualificação operacional para o terceiro setor. A regulamentação da captação de recursos via incentivo fiscal para a criação de endowments culturais possibilita que instituições da área estruturem fontes permanentes de receita. Ao mesmo tempo, o programa de inteligência artificial oferece suporte direto para a digitalização de ONGs brasileiras, enquanto o programa Transformando Territórios e a rede Compromisso 1% — que engaja 22 empresas doadoras — garantem o fortalecimento institucional e financeiro de organizações atuantes em dez estados do país.

IDIS

Fundo Brasil celebra 20 anos com R$ 130 milhões doados e edital aberto para soluções climáticas

Organização expandiu atendimento anual para mais de 400 projetos e mantém foco na descentralização de recursos para a base comunitária

Ao atingir a marca de duas décadas de atuação, o Fundo Brasil de Direitos Humanos alcançou a soma total de R$ 130 milhões repassados a mais de 2.300 iniciativas em todas as regiões do país. Criado por ativistas com o objetivo de direcionar recursos filantrópicos a grupos com restrição de acesso a financiamentos, o fundo ampliou sua escala operacional de 20 projetos atendidos anualmente em seu início para mais de 400 projetos por ano. De acordo com a diretora executiva Ana Valéria Araújo, a entidade consolida sua atuação na interseção entre raça, gênero e território, abrangendo o fortalecimento de organizações de base, coletivos e entidades de médio e grande porte.

A metodologia do Fundo Brasil baseia-se na entrega de aportes financeiros flexíveis, desburocratizados e de rápida resposta para urgências, incluindo apoio estruturante, articulação de redes, proteção a defensores de direitos humanos e socorro a emergências territoriais como secas, enchentes e queimadas. Nas pautas socioambientais e de transição justa, os programas ‘Raízes – Justiça Climática para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais’ e ‘Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno’ já destinaram conjuntamente mais de R$ 40 milhões. Atualmente, a instituição está com inscrições abertas para o edital ‘Soluções Climáticas a partir da Base’, que vai distribuir R$ 2,25 milhões para no mínimo 40 organizações da sociedade civil.

Para as organizações do terceiro setor e movimentos comunitários, o modelo de apoio garante recursos diretos para a sustentação de projetos em áreas como direitos digitais, combate ao racismo, enfrentamento ao encarceramento em massa e adaptação climática por meio de agroflorestas e manejo tradicional. Além do aporte financeiro, a participação em iniciativas promovidas pela Rede Comuá e pela Aliança Entre Fundos busca atrair filantropias familiar e corporativa para parcerias com a base, oferecendo alternativas institucionais diante da diminuição dos repasses internacionais e assegurando a autonomia de gestão aos territórios atendidos.

Rede Comua

Perseguição burocrática e visibilidade algorítmica pressionam a atuação de organizações da sociedade civil

Combinação de violência contra defensores, barreiras administrativas e filtros de redes sociais exige novas estratégias informacionais do terceiro setor

A atuação de entidades do terceiro setor e defensores de direitos humanos no Brasil ocorre sob severas ameaças físicas e institucionais. De acordo com o relatório anual da Front Line Defenders referente a 2023 e 2024, o país alcançou a terceira posição global em mortes de ativistas, somando 92 assassinatos de lideranças ligadas à causa indígena apenas no ano de 2023. No âmbito estadual, o estudo sobre a perseguição às lutas sociais em São Paulo mapeou 55 ocorrências de intimidação e assédio jurídico contra militantes na capital e região metropolitana.

Além da violência direta, o setor enfrenta a chamada criminalização burocrática, conceito formulado em 2010 pela Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil. O termo descreve a aplicação deliberada de exigências administrativas, fiscalizações e mecanismos legais de controle com a finalidade de constranger entidades comunitárias, enfraquecer sua sustentabilidade financeira e desgastar a imagem pública de projetos socioambientais.

O encolhimento da participação democrática também é impulsionado pelo ecossistema digital, no qual algoritmos de redes sociais e buscadores decidem a circulação de informações. As regras de programação desses sistemas são elaboradas por equipes técnicas e executivos corporativos que determinam parâmetros arbitrários de relevância, alcance e engajamento. Como resultado dessa curadoria automatizada, cria-se um fluxo computacional que frequentemente reduz a visibilidade das causas sociais e dificulta a comunicação direta das entidades com a população.

Diante da perda de visibilidade e do risco constante à reputação institucional, as organizações da sociedade civil precisam estruturar ações sistemáticas de análise de dados e monitoramento de redes. Propostas impulsionadas pela iniciativa Sociedade Viva indicam que a construção de coalizões e a adaptação do repertório comunicativo às dinâmicas algorítmicas são passos indispensáveis para proteger o espaço cívico, garantir a captação de recursos e manter a defesa ativa dos direitos humanos no Brasil.

Rede Comua

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