Relatório produzido pelo Ingesto com base na base de dados Transferegov consolidada na plataforma. Ver nota metodológica ao final.

Panorama geral
Entre 2017 e 2026 (incluindo 2026 parcial), o Transferegov registrou 42.808 propostas in 12.970 organizações da sociedade civil distintas. Desse total:
- 28.161 propostas foram aprovadas (65,8%)
- 4.731 propostas foram rejeitadas (11,1%)
- 1.289 propostas nunca saíram da fase de cadastro — foram registradas no sistema mas jamais enviadas para análise (3%)
Olhando por organização, não por proposta: 3.013 organizações (23,2% do total) tiveram pelo menos uma proposta rejeitada em algum momento na década, e 305 organizações (2,4%) ficaram permanentemente travadas na fase de cadastro — abriram proposta no sistema e nunca a apresentaram formalmente para análise, em nenhuma tentativa.
Quem mais recebeu recursos (2017–2026)
Ranking por valor efetivamente desembolsado (não pelo valor apenas proposto ou autorizado — ver nota metodológica sobre essa escolha).
| Organization | UF | Proposals | Total desembolsado |
|---|---|---|---|
| Missão Evangélica Caiuá | MS | 14 | R$ 1,65 bilhão |
| Organização Brasileira p/ Desenv. Científico e Tecnológico do Controle do Espaço Aéreo (CTCEA) | RJ | 8 | R$ 1,23 bilhão |
| Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) | FOOT | 107 | R$ 1,10 bilhão |
| Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semi-Árido | FOOT | 32 | R$ 1,07 bilhão |
| Santa Casa de Misericórdia de Sabará | MG | 17 | R$ 816,4 milhões |
| Fundação São Vicente de Paulo | MG | 10 | R$ 725,0 milhões |
| Fundação de Apoio da Universidade Federal do RS | LOL | 181 | R$ 647,3 milhões |
| SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina | SP | 43 | R$ 631,0 milhões |
| Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus | MG | 39 | R$ 566,5 milhões |
| Instituto para Promoção de Assistência Social e Desenvolvimento Estratégico Sustentável das Cidades do Brasil (IOM) | BAD | 18 | R$ 540,2 milhões |
Padrão relevante: o topo do ranking por valor é dominado por hospitais filantrópicos, santas casas e organizações ligadas à saúde — reflexo direto de o Ministério da Saúde concentrar, disparado, o maior volume de recursos desembolsados do período (ver seção por ministério).
Quem tem mais projetos aprovados (2017–2026)
Ranking diferente do anterior: aqui o critério é volume de propostas aprovadas, não valor.

| Organization | UF | Aprovadas | Total de propostas |
|---|---|---|---|
| Fundação de Apoio da Universidade Federal do RS | LOL | 179 | 181 |
| Fundação Universitária José Bonifácio | RJ | 137 | 138 |
| Fundação da Univ. Federal do Paraná p/ Desenv. da Ciência, Tecnologia e Cultura | PR | 120 | 126 |
| Fundação Faculdade de Medicina | SP | 114 | 117 |
| Fundação Zerbini | SP | 113 | 114 |
| Fundação de Apoio à Universidade do Rio Grande | LOL | 109 | 119 |
| Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC) | RJ | 100 | 103 |
| Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) | FOOT | 96 | 107 |
| Fundação Ennio de Jesus Pinheiro Amaral de Apoio ao IFSul | LOL | 92 | 99 |
| Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (FAPED) | MG | 85 | 90 |
Padrão relevante, e este é um ponto crítico para leitura do relatório: a lista de maior volume de aprovações é dominada por fundações de apoio a universidades federais e institutos federais — entidades de natureza jurídica e finalidade muito distintas da OSC comunitária típica (associação de bairro, ONG de base, instituto de assistência social pequeno). Isso significa que “quem mais aprova projeto” no Transferegov, olhando o conjunto de OSCs de forma agregada, não representa o terceiro setor de base — representa majoritariamente a infraestrutura de fomento à pesquisa científica vinculada a universidades públicas. Qualquer leitura que generalize esse ranking como “as OSCs mais bem-sucedidas do Brasil” seria equivocada.
Gargalos do processo: onde a proposta demora mais
Metodologia: reconstruímos, para cada proposta, a sequência real de mudanças de situação ao longo do tempo (não a contagem bruta de aparições no histórico, que é enviesada por duplicidade de snapshots mensais — ver nota metodológica). O número abaixo é o tempo médio e mediano que uma proposta permanece em cada etapa até mudar de situação, calculado sobre toda a base histórica (2008–2026, para robustez estatística).
Etapas administrativas (pré-aprovação) com maior gargalo:

| Etapa | Média (dias) | Mediana (dias) | Transições observadas |
|---|---|---|---|
| Plano de Trabalho enviado para análise | 63,4 | 4,6 | 1.220 |
| Proposta aprovada, aguardando Plano de Trabalho | 52,4 | 13,8 | 1.491 |
| Proposta enviada para análise | 45,8 | 12,6 | 35.784 |
| Chamamento público — enviada para análise preliminar | 27,3 | 23,1 | 8.529 |
| Proposta em análise | 26,3 | 0,2 | 54.458 |
Etapas pós-aprovação com maior gargalo — estas afetam diretamente o caixa e a regularidade da organização:

| Etapa | Média (dias) | Mediana (dias) | Transições observadas |
|---|---|---|---|
| Aguardando prestação de contas | 261,7 | 104,7 | 13.937 |
| Prestação de contas enviada para análise | 224,2 | 38,2 | 35.013 |
| Prestação de contas em análise | 107,6 | 3,1 | 48.018 |
O maior gargalo real do sistema, em volume e em impacto prático para a organização, não está na aprovação da proposta — está na fase pós-execução. Uma OSC que termina de executar o projeto pode esperar, em mediana, mais de 100 dias só para ser autorizada a prestar contas, e depois de enviar a prestação, mais 38 dias de mediana (mas 224 de média — indicando uma cauda longa de casos que se arrastam por muito mais tempo) até isso ser analisado. Enquanto a prestação de contas não é aprovada, a organização normalmente fica impedida de celebrar novos instrumentos com a União.
Nota sobre “Proposta Cadastrada”: quando essa etapa avança, avança rápido (mediana de 1 dia). Isso indica que o gargalo de quem nunca sai do cadastro (as 305 organizações citadas acima) não é demora — é abandono. A organização inicia o cadastro e simplesmente não retorna para enviar a proposta.
Distribuição por Unidade da Federação (2017–2026)

| UF | Organizations | Proposals | Total desembolsado |
|---|---|---|---|
| RJ | 1.074 | 4.340 | R$ 4,32 bilhões |
| MG | 1.545 | 4.386 | R$ 4,12 bilhões |
| SP | 2.300 | 7.498 | R$ 3,85 bilhões |
| FOOT | 480 | 1.681 | R$ 2,83 bilhões |
| LOL | 793 | 3.630 | R$ 1,85 bilhão |
| DF | 939 | 4.257 | R$ 1,76 bilhão |
| MS | 131 | 353 | R$ 1,72 bilhão |
| PR | 814 | 2.749 | R$ 1,01 bilhão |
| BAD | 297 | 780 | R$ 587,1 milhões |
| BA | 679 | 1.856 | R$ 435,6 milhões |
Note a desproporção entre número de organizações e valor recebido em alguns estados: Mato Grosso do Sul tem apenas 131 organizações no período, mas concentra R$ 1,72 bilhão — mais que estados com 5 a 6 vezes mais organizações ativas, como Bahia ou Ceará. Isso normalmente indica concentração de recursos em poucas entidades de grande porte (no caso do MS, puxado pela Missão Evangélica Caiuá, já citada no ranking de maiores recebedores), não pulverização ampla entre pequenas OSCs locais.
As cinco unidades da federação com menor volume de recursos desembolsados no período foram Amapá, Rondônia, Roraima, Sergipe e Acre — todas abaixo de R$ 100 milhões acumulados em 10 anos, e com menos de 150 organizações ativas cada.
Distribuição por ministério / órgão superior (2017–2026)

| Ministry | Proposals | Organizations | Total desembolsado |
|---|---|---|---|
| Ministry of Health | 10.823 | 2.054 | R$ 10,87 bilhões |
| Ministry of Education | 2.186 | 359 | R$ 3,81 bilhões |
| Ministério do Desenv. e Assist. Social, Família e Combate à Fome | 2.399 | 1.084 | R$ 1,96 bilhão |
| Sport Ministery | 5.262 | 2.185 | R$ 2,17 bilhões |
| Ministério da Cultura | 5.450 | 2.516 | R$ 1,13 bilhão |
| Ministério da Agricultura e Pecuária | 3.103 | 1.297 | R$ 563,2 milhões |
| Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania | 3.319 | 1.906 | R$ 518,8 milhões |
| Ministério das Mulheres | 2.447 | 1.617 | R$ 314,4 milhões |
| Ministério do Desenv. Agrário e Agricultura Familiar | 1.418 | 890 | R$ 392,8 milhões |
| Ministério do Trabalho e Emprego | 1.214 | 789 | R$ 355,9 milhões |
O Ministério da Saúde concentra sozinho mais recursos desembolsados (R$ 10,87 bilhões) que a soma de todos os outros nove ministérios da tabela combinados. Em número de propostas, porém, Cultura e Esporte têm volume comparável ou superior — indicando que essas duas pastas trabalham com projetos de ticket médio muito menor e maior pulverização entre organizações (2.516 e 2.185 organizações distintas, respectivamente, contra 2.054 na Saúde, mas com um décimo do valor desembolsado por proposta em média).
Nota metodológica e limitações
Fonte dos dados: base Transferegov consolidada na infraestrutura do Ingesto (Supabase), com 90.773 propostas e mais de 1,5 milhão de registros de histórico de situação, cobrindo o período de 2008 a 2026. Este relatório usa o recorte 2017–2026 para as análises de organização, valor, UF e ministério, e a base completa (2008–2026) apenas para o cálculo de duração média por etapa, por robustez estatística.
Transferegov não cobre a totalidade dos mecanismos de transferência federal. Fundo a Fundo (MDSA, Saúde), FNDE, CODEVASF e outros sistemas paralelos não estão incluídos nesta base. Os valores e rankings apresentados aqui refletem exclusivamente o que passa pelo Transferegov — não representam a capacidade total de captação de recursos federais de nenhuma organização citada.
Valor usado para “recursos recebidos”: usamos o valor efetivamente desembolsado (vl_desembolsado_conv), não o valor da proposta ou do repasse autorizado. Identificamos no mínimo um registro com valor de repasse proposto de R$ 6,07 bilhões para uma única proposta — um valor estatisticamente incompatível com o restante da base (mediana de R$ 270 mil, percentil 99 em R$ 14,3 milhões) e que não reflete dinheiro movimentado, apenas um valor de teto provavelmente incorreto na fonte. Trabalhar com valor desembolsado evita que esse tipo de outlier distorça o ranking.
Qualidade dos dados de histórico: aproximadamente 30% das linhas da tabela de histórico de situação eram duplicatas exatas (mesma proposta, mesma situação, mesmo timestamp), provavelmente decorrentes de reprocessamento na carga mensal dos dados. Essas duplicatas foram removidas antes do cálculo de qualquer média de tempo por etapa.
Ranking por volume de aprovações: dominado por fundações de apoio a universidades federais e institutos federais de ensino, que operam como intermediárias de fomento científico e não como OSCs de base comunitária. Isso deve ser considerado ao interpretar esse ranking como representativo do terceiro setor em geral.
Relatório elaborado pela equipe Ingesto (Instituto para Gestão do Terceiro Setor) a partir de dados públicos do Transferegov. Para acompanhamento contínuo e alertas personalizados sobre propostas específicas, conheça a assinatura Ingesto Transferegov.
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