1. Instituto Tecendo Infâncias lança Edital Primeira Infância de R$ 250 mil

O Instituto Tecendo Infâncias anunciou a abertura de um edital significativo, com o objetivo de apoiar organizações da sociedade civil (OSCs) dedicadas ao desenvolvimento da primeira infância. Serão selecionadas até duas OSCs, que poderão receber recursos de até R$ 250 mil para projetos focados em crianças de 0 a 6 anos. Esta iniciativa representa uma excelente oportunidade para instituições que buscam fortalecer suas ações e expandir o impacto social em uma fase crucial do desenvolvimento humano.
As propostas devem apresentar um caráter estruturante e demonstrar potencial para gerar impacto sustentável a longo prazo. A captação de recursos é um desafio constante para o Terceiro Setor, e editais como este são vitais para garantir a continuidade e a ampliação de projetos que fazem a diferença na vida de milhares de crianças. É fundamental que as OSCs interessadas preparem projetos bem elaborados, destacando a relevância e a inovação de suas abordagens para a primeira infância.
Access: tecendoinfancias.org.br/edital
Mais informações: https://tecendoinfancias.org.br/
2. Receita Federal publica IN 2.307/2026 e desiste de tributar associações sem fins lucrativos

Uma importante vitória para o Terceiro Setor foi a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.307/2026 pela Receita Federal. Esta nova norma, que surge após uma intensa mobilização das entidades, retira as associações sem fins lucrativos do escopo da Lei Complementar 224/25. Com isso, fica garantida a manutenção das isenções de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, que estavam sob ameaça de tributação.
Essa decisão representa um alívio financeiro e uma segurança jurídica para diversas organizações filantrópicas, culturais e científicas, permitindo que continuem a dedicar seus recursos integralmente às suas missões sociais. A medida reforça o reconhecimento da importância do trabalho dessas entidades para a sociedade brasileira e a necessidade de um ambiente regulatório que favoreça sua atuação.
3. Sebrae Rio abre 80 vagas para capacitação gratuita do Terceiro Setor

O Sebrae Rio lançou um programa de capacitação gratuito, oferecendo 80 vagas para instituições do Terceiro Setor que atuam com inclusão produtiva. O programa visa fortalecer a gestão e a sustentabilidade financeira dessas organizações, proporcionando ferramentas e conhecimentos essenciais para enfrentar os desafios do mercado e aprimorar suas estratégias de captação de recursos. A iniciativa é fundamental para o desenvolvimento e a profissionalização do setor.
Através desta capacitação, as entidades terão a oportunidade de aprimorar suas práticas de gestão, otimizar processos e explorar novas fontes de financiamento. A inclusão produtiva é um pilar importante para o desenvolvimento social, e o apoio do Sebrae Rio contribui diretamente para que essas organizações possam gerar ainda mais impacto em suas comunidades, promovendo a autonomia e o empoderamento de indivíduos e grupos.
4. Edital Pacová apoia feminismos populares e defesa de territórios

A iniciativa Pacová lançou a chamada “Feminismos Populares em Defesa do Bem Viver e dos Territórios”, um edital que oferece apoio financeiro e técnico a organizações lideradas por mulheres. O foco está em projetos que promovem a justiça socioambiental e a defesa dos direitos territoriais em diversas regiões do Brasil. Este edital é crucial para fortalecer movimentos de base e garantir que vozes importantes sejam ouvidas e apoiadas na luta por um futuro mais equitativo e sustentável.
O apoio a feminismos populares e à defesa de territórios é essencial para abordar questões de desigualdade e injustiça social de forma interseccional. A Pacová, com esta iniciativa, contribui para o empoderamento de comunidades e para a construção de soluções locais que respeitem a diversidade cultural e ambiental do país. É uma oportunidade para que projetos inovadores e transformadores recebam o suporte necessário para florescer.
5. Lula defende regras específicas de jornada de trabalho para setores sociais

Em um debate recente sobre a jornada de trabalho, o presidente Lula defendeu a necessidade de regras específicas para diferentes categorias profissionais, especialmente no contexto do Terceiro Setor. A discussão sobre o fim da escala 6×1 levanta a importância de considerar as particularidades das organizações sociais, que frequentemente dependem de voluntariado e lidam com serviços essenciais. Esta abordagem pode abrir caminho para modelos de trabalho mais flexíveis e adaptados à realidade das OSCs, garantindo a eficiência e o bem-estar dos colaboradores.
A flexibilização das regras de jornada de trabalho pode beneficiar o Terceiro Setor, permitindo uma melhor gestão de equipes e recursos, além de otimizar a entrega de serviços. A adaptação da legislação trabalhista às necessidades específicas do setor é um passo importante para reconhecer a complexidade e a relevância do trabalho realizado por essas organizações, promovendo um ambiente mais justo e produtivo para todos os envolvidos.
Referências
[1] Observatório do 3° Setor. Instituto Tecendo Infâncias lança Edital Primeira Infância. Disponível em:
[2] ZNA Advogados. Receita Federal do Brasil atualiza lista de benefícios não sujeitos à redução linear. Disponível em:
[3] O Dia. Sebrae Rio abre inscrições para programa gratuito de capacitação do Terceiro Setor. Disponível em:
[4] Observatório do 3° Setor. Pacová abre inscrições para chamada que fortalece feminismos populares e a defesa dos territórios. Disponível em:
[5] Poder360. Lula quer regras específicas de jornada de trabalho para setores sociais. Disponível em:
IA, LGPD e financiamento: três pressões estruturais sobre o Terceiro Setor em 2026
O ambiente institucional das organizações da sociedade civil em 2026 é marcado por três pressões estruturais simultâneas: adoção acelerada de inteligência artificial, aumento das exigências de governança de dados e mudanças na dinâmica global de financiamento filantrópico. Essas forças estão redefinindo como OSCs planejam, operam e demonstram impacto.
A seguir, três sinais relevantes do cenário recente — e o que eles significam para a gestão institucional.
IA se espalha rapidamente nas organizações, mas impacto real ainda é limitado
Crédito: Jo Lin / Unsplash.
Relatórios recentes indicam que a adoção de inteligência artificial já é ampla no setor social. Uma pesquisa internacional aponta que 92% das organizações sem fins lucrativos utilizam algum tipo de ferramenta de IA, seja para produção de conteúdo, análise de dados ou automação de tarefas administrativas.
Apesar da adoção rápida, o impacto estratégico ainda é desigual. Muitas instituições utilizam IA para tarefas operacionais — como redação de textos, pesquisa ou automação — sem integração com planejamento estratégico, monitoramento de impacto ou tomada de decisão institucional.
Na prática, o risco não é a falta de tecnologia, mas o uso fragmentado. Quando a IA não está vinculada a governança, indicadores e processos organizacionais claros, o resultado tende a ser apenas aumento de produtividade individual, sem ganho institucional duradouro.
Proteção de dados e LGPD entram definitivamente na agenda de governança
Crédito: Michael Dziedzic / Unsplash.
A proteção de dados passou a ser um eixo permanente de governança institucional para OSCs. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) se aplica igualmente a organizações sem fins lucrativos, exigindo cuidados rigorosos com o tratamento de dados de beneficiários, voluntários e doadores.
Para muitas entidades, isso significa desenvolver políticas internas, registrar bases legais de tratamento de dados e implementar práticas de segurança e transparência. O desafio é maior em organizações com equipes pequenas ou forte dependência de voluntariado.
Mais do que uma obrigação legal, especialistas apontam que a conformidade com a LGPD também se tornou um fator reputacional. Em um ambiente digital cada vez mais sensível a privacidade e segurança da informação, a governança de dados passa a integrar o núcleo da sustentabilidade institucional.
Filantropia global se torna mais política e mais concentrada
Towfiqu barbhuiya / Unsplash.
Relatórios recentes indicam que a filantropia internacional está cada vez mais entrelaçada com contextos políticos e macroeconômicos. Cortes de financiamento público, mudanças regulatórias e maior escrutínio institucional aumentam a pressão sobre organizações sociais.
Ao mesmo tempo, novas iniciativas filantrópicas continuam surgindo em resposta a esse cenário. Exemplos incluem fundos independentes criados para financiar intervenções baseadas em evidência e iniciativas de financiamento colaborativo voltadas a desafios globais.
Esse movimento aponta para um ambiente de financiamento mais seletivo, competitivo e orientado a resultados. Organizações que demonstram impacto mensurável, governança sólida e capacidade de adaptação tecnológica tendem a ter vantagem na captação de recursos.
Fontes:
https://philagiving.com/what-2026-philanthropy-trends-are-telling-us-and-what-theyre-missing/
https://apnews.com/article/3d4b69f8a1c53fae17a39fd9af1f4f00
https://apnews.com/article/1a6b388deff7670099757c371dffd454
O que fazer amanhã
Dirigentes de OSC podem começar com três movimentos práticos: mapear quais processos da organização já usam IA e definir regras de governança para essas ferramentas; revisar políticas internas de proteção de dados para garantir aderência à LGPD; e fortalecer indicadores de impacto e transparência, elementos cada vez mais decisivos para credibilidade e captação de recursos no ambiente filantrópico atual.
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