Emendas, IA e filantropia

Leitura institucional do dia: conformidade, calendário de emendas, adoção de IA e tendências da filantropia.
1) Emendas parlamentares: vedação por nepotismo e obrigações de conformidade para OSCs
O Transferegov publicou orientação citando decisão do STF (ADPF 854) com vedações explícitas para destinação e execução de recursos de emendas em favor de OSCs em situações relacionadas a nepotismo e vínculos com o parlamentar/assessoria. Isso eleva o patamar de risco para organizações que operam com recursos indicados via emenda.
Na prática, a pauta deixa de ser apenas “documentação em ordem” e passa a exigir governança de vínculos: políticas internas, registros, declarações, checagens e trilhas de auditoria minimamente defensáveis. Em um cenário de fiscalização crescente, o custo do informal aumenta.
A implicação direta é operacional: se a OSC não consegue demonstrar diligência (processo, evidência e governança), pode perder acesso a recursos ou sofrer questionamentos na execução. O tema entra no núcleo da gestão de compliance.
2) Orçamento 2026 e RP6: cronogramas e janelas de ação no Transferegov
O Transferegov divulgou cronogramas para execução de emendas individuais 2026 com finalidade definida (RP6), incluindo prazos para divulgação de programas, envio de propostas/plano de trabalho e etapas de análise e consolidação. Para OSCs que trabalham com parcerias e transferências, isso cria janelas de ação claras.
O ponto central não é “saber que existe prazo”, mas incorporar o calendário como rotina: mapear programas, preparar documentação, ajustar plano de trabalho e montar evidências antes do período crítico. É aqui que a organização ganha eficiência real — não na correria da última semana.
A implicação estratégica é simples: OSC que trata orçamento como dado público monitorável consegue se posicionar antes, reduzir retrabalho e aumentar taxa de sucesso. É gestão por previsibilidade, não por improviso.
3) IA no Terceiro Setor global: 92% adotam, mas só 7% percebem transformação relevante
O relatório 2026 da Virtuous aponta um quadro recorrente: quase todas as organizações já usam IA em alguma capacidade, mas poucas relatam impacto transformacional. O padrão observado é ganho de velocidade (produção e tarefas) sem mudança real na capacidade institucional.
Isso costuma acontecer quando IA entra como ferramenta isolada, sem metas, sem métricas e sem governança. A organização fica mais rápida para fazer o que já fazia — mas não fica mais forte para decidir, priorizar e aprender com dados. É o limite do uso tático.
A implicação para OSCs brasileiras é direta: IA sem governança vira custo e ruído. IA com governança vira vantagem: padronização de processos, melhoria de atendimento, captura de dados e aumento de capacidade analítica.
4) Filantropia no Brasil em 2026: financiamento inovador, integração com políticas públicas e tecnologia
O IDIS aponta tendências para 2026 destacando instrumentos de financiamento inovador, integração com políticas públicas e o uso de tecnologia (inclusive IA) como parte da agenda de evolução do investimento social privado. A leitura é que ampliar recursos não basta: é preciso fortalecer legitimidade, governança e capacidade de execução.
O ponto mais útil para o dia a dia da gestão é a convergência: captação, reputação e impacto não são “departamentos” separados. Tendências como blended finance e matchfunding exigem disciplina de dados, transparência e narrativa consistente de impacto.
A implicação prática é que a organização que tratar sustentabilidade como sistema (governança + dados + comunicação + conformidade) terá melhor posicionamento para novas fontes de recursos e parcerias em 2026.
Editais 2026: R$ 1 Milhão para Assistência Social e Novos Prazos para Fundações Impulsionam o Terceiro Setor

O cenário de captação de recursos para o Terceiro Setor em 2026 se mostra promissor com o lançamento de novos editais e a abertura de prazos importantes. O Instituto de Ação Social (CAPEMISA Social) anunciou seu edital para 2026, destinando um aporte significativo de R$ 1 milhão para projetos focados em assistência social. Essa iniciativa representa uma excelente oportunidade para organizações que buscam financiamento para suas ações de impacto social.
Além disso, a Fundação Salvador Arena abriu inscrições para o Programa de Alimentação Saudável, com um período de candidatura de 9 a 30 de março. Este programa não apenas oferece apoio financeiro, mas também consultoria nutricional gratuita, um diferencial importante para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que atuam na área de segurança alimentar. A Fundação Cargill também está com inscrições abertas até 3 de março para a Chamada Semeia 2026, que disponibilizará até R$ 150 mil por projeto socioambiental, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável.
Receita Federal Recua e Mantém Isenções Fiscais para o Terceiro Setor em 2026

Em uma notícia de grande alívio para as organizações do Terceiro Setor, a Receita Federal do Brasil reverteu a decisão de cortes lineares em benefícios tributários. Após intensa mobilização e diálogo com o setor, a lista de incentivos fiscais preservados foi atualizada pela Instrução Normativa RFB nº 2.307/2026. Essa medida desfaz as preocupações geradas pela Lei Complementar 224/2025, que previa reduções que poderiam impactar severamente a capacidade financeira das OSCs.
O recuo da Receita Federal garante maior segurança jurídica e previsibilidade para as entidades que dependem desses incentivos para a continuidade de suas atividades. A manutenção das isenções fiscais é crucial para a sustentabilidade de projetos sociais, ambientais e culturais em todo o país, permitindo que as organizações continuem a desempenhar seu papel fundamental na sociedade sem o ônus adicional de uma carga tributária elevada.
ONU Inicia Ano Internacional do Voluntariado 2026 com Foco no Desenvolvimento Sustentável

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável. Esta iniciativa global visa reconhecer e promover o papel vital do voluntariado na construção de comunidades mais resilientes e na aceleração do progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A celebração busca inspirar indivíduos e organizações a se engajarem em ações voluntárias que contribuam para um futuro mais equitativo e sustentável.
O Ano Internacional do Voluntariado 2026 será marcado por diversas atividades e campanhas em todo o mundo, com o objetivo de fortalecer os laços comunitários, promover a solidariedade e destacar o impacto positivo que o trabalho voluntário tem na resolução de desafios globais. A ONU convida governos, sociedade civil, setor privado e cidadãos a participarem ativamente, reforçando a importância do engajamento cívico para o bem-estar coletivo e o avanço da agenda 2030.
Implicação prática para dirigentes de OSC
O recado do conjunto é objetivo: 2026 exige conformidade defensável, leitura de janelas orçamentárias, governança para uso de IA com métricas e captação alinhada a tendências de financiamento inovador. Quem opera só no operacional perde espaço. Quem organiza governança, dados e processos, ganha previsibilidade e reputação.
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